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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Selo em destaque: Leo Records





LANÇAMENTOS  Títulos recentes do Leo Records.
Ouça, divulgue, compre os discos...





O Leo Records é um dos selos fundamentais e mais conhecidos da free music. Fundado no Reino Unido em 1979 por Leo Feigin, um imigrante de ascendência russa, o selo já editou álbuns de muitos dos nomes centrais do free jazz e da free improvisation nessas quase quatro décadas de existência. Dentre os mais de 700 títulos editados (parte deles espalhados por “subselos” como “Golden Years of New Jazz, “Leo Lab”, “Long Arms”...), estão trabalhos de Cecil Taylor, Sun Ra, Art Ensemble of Chicago, Evan Parker, Ivo Perelman, Marilyn Crispell, Joe Maneri, Anthony Braxton e outros tantos... Mas nem só de medalhões vive seu catálogo – pelo contrário: um dos trunfos do Leo Records é exatamente apresentar novos ou pouco conhecidos nomes da música livre. E isso desde seu início, quando colocou, por exemplo, o trabalho do russo Ganelin Trio no foco da Europa Ocidental e dos EUA. Com lançamentos mensais, o selo segue com sua missão de promover a free music e manter esse universo sonoro em expansão. Aqui destacamos os lançamentos de maio do Leo Records...




Live at Nickelsdorfer Konfrontationen   ****(*)
Trio Now!
Leo Records
O austríaco Trio Now! é menos conhecido do que deveria. Formado por Tanja Feichtmair (sax alto e clarinete baixo), Uli Winter (violoncelo) e Fredi Proll (bateria) é um desdobramento de um quarteto anterior (que contava ainda com o tecladista Josef Novotny) e lançou seu disco de estreia, homônimo, em 2013. Com este novo registro mostram uma precisão colaborativa responsável por uma improvisação livre de elevada inventividade. Captado ao vivo no Nickelsdorfer Konfrontationen (Áustria) em julho de 2016, o álbum traz cinco temas que bem apresentam a música do trio, que pode oscilar entre momentos mais crus e ríspidos e outros mais líricos ou de menor tensão (mas não de menor invenção). “The Magic of Now”, que inicia o trabalho, é a mais forte do conjunto, com seus quase 16 minutos de improvisação de energia maior, que bem apontam o rumo do Trio Now! e seu particular colorido. O tema seguinte, “Proximity”, é mais detalhista, mostrando uma pegada um tanto quanto distinta do trio. Já a vivacidade crescente de “Susi” se destaca especialmente pelo vigor da saxofonista Tanja Feichtmair – um nome que merece maior repercussão. “High Voltage” é o espaço em que o violoncelo de Winter tem seu protagonismo, antes de chegarmos ao breve bis “Good Night Friend”, mais descompromissada e solta. Um grupo para se acompanhar com interesse os próximos passos.




The Marsays Suite  ****
Marcus Vergette
Leo Records
O baixista (e escultor) Marcus Vergette comanda este ambicioso projeto camerístico, no qual revisita o mito de Marsays – que enfrentou com sua flauta Apolo em uma disputa musical (este com uma lira), sendo derrotado e punido. A seu lado estão Tom Unwin (piano), Ros Harding (sax alto) e Lucy Welsman e Janna Bulmer (violoncelos). A música, um jazz camerístico feito com muita precisão e delicadeza, tem momentos de grande beleza e lirismo, com o piano e o sax sendo os protagonistas – representando exatamente os papéis de Marsays e Apolo. O registro, realizado em agosto de 2015, é feito para ser escutado sem interrupções e, mesmo que não seja música programática, ganha se o ouvinte tiver em mente a história mitológica que o ampara e inspira. Curiosidade: esta não é a primeira vez que o mito de Marsays serve de inspiração no universo jazzístico/free: em 2012, Evan Parker e Peter Jacquemyn apresentaram a sua versão, que foi editada depois em disco pelo selo El Negocito como “Marsays Suite”.





The Set List Shuffle  ***
Blazing Flame Quintet
Leo Records
Este projeto comandado por Steve Day (voz, hand percussion) não consegue ir muito além de suas boas intenções. A voz de Day, entre o recitativo e o declamatório, não consegue atingir o impacto esperado – ao se ver a instrumentação do “Blazing Flame Quintet”, criam-se certas expectativas que esta gig descompromissada não alcança. O quarteto que acompanha Day (violino, baixo, sopros e bateria) parece muito preso a suas ideias. E, consequentemente, o instrumental (tudo improvisado) soa em muitos momentos mais como acompanhamento da vocalização dos poemas, carente de uma forte identidade própria. Se alguém traz momentos mais interessantes são Peter Evans (violino elétrico) e Mark Langford (sax tenor e clarinete baixo – ouçam o belo solo dele em “Coal Black Buddha”), mas sem que consigam elevar muito o resultado final do álbum. De um modo geral, o registro tem seus pontos interessantes, mas soa um tanto quanto insípido, falta algo aqui. 





Lacy Pool_2  ****
Oberg/ Mahall/ Griener
Leo Records
Sob o comando do pianista Uwe Oberg, este trio alemão – completado por Rudi Mahall (clarinetes) e Michael Griner (bateria) – se propõe a revisitar o universo composicional do sax-sopranista Steve Lacy (1934-2004). Vem daí seu nome, Lacy Pool, que edita agora seu segundo álbum (o primeiro, de 2009, saiu pela hatOLOGY). Curioso que no primeiro registro do trio o trombonista Christof Thewes tocava no lugar de Mahall; ou seja, onde os temas de Lacy eram executados originalmente pelo sax soprano, no Lacy Pool eles começaram sendo revisitados pelo trombone e agora pelo clarinete. Isso ajuda a dar uma cara bem própria ao som do trio, que nunca soa como um grupo de “releitura” – até porquê a improvisação é um elemento basilar neste processo. Com um repertório focado na obra de Lacy (há revisitações a peças como “Trickles” e “Troubles”), é interessante notar que os dois temas (“Field (Spring)” e “Jazz ab 40”) que são de autoria de Oberg se integram perfeitamente à concepção do álbum, criando um todo realmente equilibrado. Mais um muito estimulante capítulo deste projeto.






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*quem assina:
Fabricio Vieira é jornalista e fez mestrado em Literatura e Crítica Literária. Escreveu sobre jazz para a Folha de S.Paulo por alguns anos; foi ainda correspondente do jornal em Buenos Aires. Atualmente escreve sobre livros e jazz para o Valor Econômico. É autor de liner notes para os álbuns “Sustain and Run”, de Roscoe Mitchell (Selo Sesc), e “The Hour of the Star”, de Ivo Perelman (Leo Records)

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